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Modelo de Petição: Direito Civil e Processual Civil – Petição Inicial – Ação de Imissão de Posse – Imissão de posse cumulada com perdas e danos e com pedido de tutela antecipada.

Imissão de posse cumulada com perdas e danos e com pedido de tutela antecipada.

 

EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA ….. VARA CÍVEL DA COMARCA DE ….., ESTADO DO …..

….., brasileiro (a), (estado civil), profissional da área de ….., portador (a) do CIRG n.º ….. e do CPF n.º …..,  residente e domiciliado (a) na Rua ….., n.º ….., Bairro ….., Cidade ….., Estado ….., por intermédio de seu (sua) advogado(a) e bastante procurador(a) (procuração em anexo – doc. 01), com escritório profissional sito à Rua ….., nº ….., Bairro ….., Cidade ….., Estado ….., onde recebe notificações e intimações,  vem mui respeitosamente à presença de Vossa Excelência propor

AÇÃO DE IMISSÃO DE POSSE C/C PERDAS E DANOS COM PEDIDO DE TUTELA ANTECIPADA

em face de

….., brasileiro (a), (estado civil), profissional da área de ….., portador (a) do CIRG n.º ….. e do CPF n.º …..,  residente e domiciliado (a) na Rua ….., n.º ….., Bairro ….., Cidade ….., Estado ….., pelos motivos de fato e de direito a seguir aduzidos.

PRELIMINARMENTE

DA ASSISTÊNCIA JUDICIARIA GRATUITA

A requerente, sob o compromisso legal, de acordo com o artigo 4°, da Lei n° 1.060, de 05/02/1.950, afirma que não está em condições de pagar as custas do processo e os honorários de advogado, sem prejuízo do seu sustento, pelo que requer lhe seja deferido o benefício da assistência judiciária gratuita.

DO MÉRITO

DOS FATOS

A Requerente adquiriu da ………………. o imóvel constituído pelo Apartamento n° ……………., do Bloco …………., do Conjunto ……………….., localizado á Rua ………………………, em ……………., conforme CONTRATO PARTICULAR DE COMPRA E VENDA DE UNIDADE ISOLADA E MÚTUO COM OBRIGAÇÕES E HIPOTECA e REGISTRO DE IMÓVEIS, anexos. (DOC. N.° 02 e 03).

Ocorre que o aludido imóvel encontra-se ocupado pelos requeridos, que apesar de terem tido todas as chances possíveis e imagináveis em negociar a dívida junto a lês, e permanecerem como mutuários da mesma, não o fizeram, e, em conseqüência o imóvel foi ARREMATADO pela …………

Procurados no intuito de amigavelmente desocuparem o imóvel, os Requeridos não manifestaram interesse em faze-lo por si, o que forçosamente ora se busca pela tutela estatal.

DO DIREITO

A imissão de posse é o ato judicial que faz voltar a posse da coisa à pessoa a quem, por direito, pertence, ou sob cuja guarda deve estar. A medida é para dar posse, colocar na posse, introduzir na posse.

Ainda dentro da lição de DE PLÁCIDO E SILVA (in vocabulário jurídico v. I e lI, 3ª ed. Ria de Janeiro: Forense, 1991): “Imissão de Posse é o apossamento da coisa que se encontrava em poder de outrem e que passa a ser havida por aquela a favor de quem o ato de apossar-se dela foi determinado.” E continua: “Na técnica processual, a ação que lhe corresponde é classificada entre as ações possessórias. E tende, precisamente, á entrega da posse, que não está introduzida ou colocada em mãos do legítimo possessor.”

Todavia, apesar de estar inserida entre as possessórias, o que se discute na imissão é o domínio e não existe o requisito da posse pois, caso existisse, nem caberia a imissão. Assim, no entendimento de Pontes de Miranda, as ações de imissão de posse não são possessórias mas sim, revestem-se de caráter possessório.

Está plenamente demonstrado o jus possessionis pacífico e INCONTROVERSO, o que demonstra o direito de serem imitidos na posse.

É, pois, a imissão de posse o recurso legal cabível para introduzir na posse todo aquele que a deva ter em relação á coisa por demonstrar que tem direito a ela.

O anterior Código de Processo Civil dispunha que competia ação de imissão de posse aos adquirentes de bens, para haverem a respectiva posse, contra os alienantes ou terceiros, que os detenham. Q atual CPC não previu a imissão de posse de modo específico mas nem por isso ela deixou de existir.

A lei é bem clara quando define quem é proprietário e quais os seus direitos no que diz respeito a proteção de seu direito.

Art. 1.228 – 4 proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavê-la do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha. (Código Civil)

A requerente adquiriu o imóvel cumprindo para tanto as exigências da lei, havendo para tanto transcrito escritura pública de compra e venda, documento ideal para. constituição da propriedade, bem como o registro.

Os requeridos por sua vez são exmutuários da CEF, e, apesar de terem tido todas as chances possíveis e imagináveis em negociar a divida e permanecerem como proprietários do imóvel, não o fizeram, e, em conseqüência o imóvel foi ARREMATADO pela CEF.

Art. 1.200 – É justa aposse que não for violenta, clandestina ou precária.

Art. 1.208 – Mo induzem. posse os atos de mera permissão ou tolerância assim, como não  autorizam a sua aquisição os atos violentos, ou clandestinos, sendo depois de cessar a violência ou a clandestinidade., (Código Civil)

“Posse clandestina, por sua vez, “é a que se adquire às ocultas. o possuidor c, obtém usando de artifícios par iludir o que tem a posse, ou agindo as escondidas” Não é o fato puro e simples da ignorância do espoliado que constitui n clandestinidade, sim o oposto à publicidade; é furtar-se o possuidor às vistas alheias; tomar a posse às escondidas; o emprego de manobras tendentes u deixar o possuidor anterior nu insciência da aquisição da posse – no dizer de Tito Fulgêncio” (Humberto Theodoro Júnior)

Os Requeridos são sabedores chie se estão na. posse do imóvel ocupado, não è de pleno direito e sim precariamente, pois, pela inadimplência conforme cláusula contratual, perderam a propriedade.

“…Posse de má-fé apresenta-se como a daquele “que possui na consciência a ilegitimidade de seu direito”; é a daquele que retém a coisa ciente de que não lhe assiste o direito de faze-lo”. (Humberto Theodoro Júnior)

Vale lembrar que os atos violentos, clandestinos ou precários não autorizam que o autor do ato vicioso adquira a posse em relação á pessoa que figura como vítima do ato praticado.

De acordo com o artigo 1.208, 1ª parte, cumpre esclarecer que os atos de mera permissão ou tolerância, são atos de sem qualquer relevância Jurídica.

Segundo o eminente professor e desembargador Laerson Mauro, os atos de tolerância consistem em concessões feitas pelo possuidor tacitamente, á título de solidariedade e em caráter provisório, não tendo o beneficiário qualquer direito em relação ao possuidor.

A Requerente, atual proprietária, é a legítima possuidora de direitos sobre o imóvel, e entre eles o de requerer ser imitida na sua posse.

Entre os direitos da Requerente está o de pleitear conjuntamente ao pedido de imissão na posse o de cobrar valores referentes as perdas e danos decorrentes da impossibilidade de efetiva utilização do imóvel. (art. 921, I, CPC)

Basta bom senso para avaliar que durante o período que vai da aquisição do imóvel até a efetiva desocupação pelos Requeridos, a Requerente deixou de perceber lucros que poderiam advir de uma possível locação, ou ainda de não realizar despesas com o imóvel que atualmente reside. Enfim a ocupação pelos Requeridos causam prejuízos que necessariamente devem ser amenizados pelos Requeridos, são direitos da requerente previstos pela lei e que merecem a proteção do poder judiciário.

O artigo 273 do Código de processo Civil permite que o juiz antecipe total ou parcialmente os efeitos da tutela, a requerimento da parte, se existir prova inequívoca e verossimilhança na alegação, em havendo fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação. Não se trata de simples faculdade ou de mero poder discricionário do magistrado, mas de um direito subjetivo processual que, dentro dos pressupostos traçados pela lei, a parte tem o poder de requerer.

Tal ocorre face à necessidade de evitar o perigo de a demora no processo comum transformá-lo em providência inútil para cumprimento de sua função natural de instrumento de atuação e defesa do direito subjetivo material da parte vencedora.

Verossimilhança, nas palavras de DE PLÁCIDO E SILVA (in vocabulário jurídico 16° ed.), e a aparência de verdade, o razoável(…) o próprio fumus bonis juris e, principalmente, o periculum in mora. Ao comentar o significado de prova inequívoca aduz que “é aquela clara, evidente, que representa grau de convencimento tal que a seu respeito não se possa levantar dúvida razoável, equivalendo à verossimilhança da alegação mormente no tocante ao direito subjetivo que a parte queira preservar”.

Ora os documentos que instruem os autos comprovam claramente o alegado. Não se trata, portanto, de simples alegação ou suspeita, mas sim apóia-se em prova preexistente e concretamente inequívoca e clara. O juízo de convencimento acerca do quadro fático refere-se não apenas à existência do direito subjetivo material mas também ao dano e sua irreparabilidade.

O receio fundado nasce aqui dos dados concretos objeto da suficiente prova que se junta para autorizar o juízo de verossimilhança. O periculum in mora demonstra-se, pois, atual e afeta o equilíbrio das partes.

Na doutrina do eminente KAZUO WATANABE: “O princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional, inscrito no inciso XXXV do artigo 5° da Constituição Federal, não assegura apenas o acesso formal aos órgãos judiciários, mas sim o acesso à Justiça que propicie a efetiva e tempestiva proteção contra qualquer forma de denegação da justiça…”

A tutela antecipatória baseada em fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação pode ser deferida antes da ouvida do réu. A necessidade de ouvir o réu poderá comprometer a efetividade da própria tutela.

Toda ação de conhecimento admite antecipação de tutela, seja ela declaratória, constitutiva, condenatória ou mandamental, tanto as processadas no rito comum (ordinário ou sumário) como no rito especial, se verificados os pressupostos do artigo 273 do CPC.

Assim, a imissão de posse é uma situação que admite a antecipação, quando o autor tem contrato preliminar de compra e venda e no caso em voga, a requerente possui Instrumento Particular com Força de Escritura Pública de Compra e Venda devidamente transcrita no Registro de Imóveis. Há, portanto, no presente caso, prova inequívoca da alegação de modo que o juiz deve conceder o pedido de antecipação.

Conclui-se pela pretensão, à tutela antecipada fundamentada em motivos relevantes e apoiada em prova idônea.

Portanto, quanto à concessão da liminar, no presente caso, a ouvida da parte contrária tornará inócua a medida.

Anexamos à presente, Liminares de Imissão de Posse concedidas. (Docs. n°s. 04, 05, 06, 07, 08, 09, 10, 11 e 12)

Anexamos também, Sentenças de Ação de Imissão de Posse, bem como, de Retenção por Benfeitorias Indenizáveis, propostas e defendidas por este patrono. (Docs. nos. 13, 14, 15, 16 e 17)

Anexamos ainda, Sentenças dos Egrégios Tribunais de Justiça de Alçada e Vara Federal do Sistema Financeiro da Habitação. (Docs. nos. 18, 19, 20, 21, 22 e 23)

De acordo com a Sentença da Vara Federal do Sistema Financeiro da Habitação anexa, (doe. n° 23), com a adjudicação do imóvel pelo agente financeiro, os ex-mutuários, perderam o direito e interesse de agir, pois não são mais mutuários do SFH, não podendo assim retroagir relação contratual extinta.

A jurisprudência é pacífica e assim diz:

Processo: 80329400 – APELAÇÃO CIVEL – Origem: PARANAGUÁ – 2ª VARA CIVEL Número do Acórdão: 15703 Decisão: Unânime – RECURSO IMPROVIDO órgão Julgador: QUARTA CÂMARA CIVEL – Relator DES. TROIANO NETO – Data de Julgamento: Julg: 25/08/1999 DECISÃO: ACORDAM OS DESEMBARGADORES INTEGRANTES DA QUARTA CÂMARA CIVEL DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ, POR UNANIMIDADADE DE VOTOS, EM NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. EMENTA: REIVINDICAÇÃO – AUTOR COM TITULO DE DOMINIO – CONTESTAÇÃO INVOCANDO A EXISTÊNCIA DE PROMESSA DE COMPRA E VENDA EM FAVOR DOS RÉUS E POSSE SUFICIENTE PARA O USO CAPIAO – AÇAO JULGADA PROCEDENTE – RECURSO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. PROMESSA DE COMPRA E VENDA, POR INTRUMENTO PARTICULAR, FEITA COM TERCEIRO E SEM REGISTRO IMOBILIÁRIO, NÃO IMPEDE A REIVINDICAÇÃO. INVIÁVEL O RECONHECIMENTO DO USOCAPIAO DIANTE DO CONJUNTO PROBATóRIO QUE NÃO EVIDENCIA O FATO DA POSSE SUFICIENTE.

Processo: 38487800 – APELAÇÃO CIVEL – COMARCA DE CURITIBA – ACORDÃO N° 11814 – Decisão Unânime – NEGADO PROVIMENTO A APELAÇÃO – ORGAO JULGADOR 2ª CÂMARA CIVEL – RELATOR DES. RONALD ACCIOLY – JULGAMENTO 27/09/1995.

DECISÃO: ACORDAM EM 2ª CAMARÁ CIVEL DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ, POR VOTAÇÀO UNANIME, ADOTADO O RELATóRIO DE FLS. 137/138, NEGAR PROVIMENTO A APELAÇÃO. EMENTA: DIREITO CIVIL – AÇÃO REIVINDICATÓRIA – DOMÍNIO DA AUTORA SOBRE O IMÓVEL REIVINDICADO – POSSE DA RE, DECORRENTE DE COMODATO, COM RECUSA NA SUA DEVOLUÇÃO, INJUSTA – DESNECESSIDADE DE NOTIFICAÇÃO JUDICIAL – DEMANDA QUE Só PODERIA SER A REIVINDICATóRIA – AÇÃO JULGADA PROCEDENTE – APELAÇÃO DA RE IMPROVIDA – SENTENÇA CONFIRMADA. 1. A CITAÇÃO PARA A AÇÃO REIVINDICATORIA TEM FORÇA SUFICIENTE PARA CONSTITUIR EM MORA O COMODATÁRIO QUE SE RECUSA A DEVOLVER O BEM DADO EM COMODATO, SENDO DESNECESSÁRIA A NOTIFICAÇÃO JUDICIAL. 2. A REIVINDICATÓRIA E A AÇÃO PRÓPRIA DO PROPRIETÁRIO QUE NAO TEM POSSE DE SEU BEM E A REIVINDICA DAQUELE QUE A POSSUA INJUSTAMENTE.

Processo: 22632600 – APELAÇÃO CIVEL Origem: PITANGA – VARA CIVEL Número do Acórdão: 9046 Decisão: Unânime – NEGADO PROVIMENTO. órgão Julgador: SEGUNDA CAMARÁ CIVEL Relator DES. NEGI CALIXTO – Data de Julgamento: Julg: 14/10/1992 DECISÃO: ACORDAM OS DESEMBARGADORES DA SEGUNDA CAMARÁ CIVEL DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, EM NEGAR PROVIMENTO AO APELO: EMENTA: AÇÀO REIVINDICATORIA. PROPRIETÁRIO E TITULAR DO DOMINIO QUE BUSCA O IMÓVEL EM PODER DE QUEM O POSSUI, INJUSTAMENTE, POSSUIDOS SEM TITULO. PROCEDENCIA DO PEDIDO. ATR. 524 DO CÓDIGO CIVIL. COMPROVADO QUE OS REUS OCUPAM O IMÓVEL SEM TITULO QUE A ISSO JUSTIFIQUE, A AÇÃO REIVINDICATÓRIA E PROCEDENTE. APELO IMPROVIDO.

DOS PEDIDOS

Ante o exposto, requer-se a concessão de imissão na posse, por tutela antecipada.

Requer-se ainda a concessão de indenização e a citação do réu, para querendo contestar a ação.

Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidas.

Dá-se à causa o valor de R$ …..

Nesses Termos,
Pede Deferimento.

[Local], [dia] de [mês] de [ano].

[Assinatura do Advogado]
[Número de Inscrição na OAB]

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Categoria: Civil e Processual Civil, Petições
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