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Modelo de Petição: Direito Penal e Processual Penal – Habeas Corpus – Ação Penal – Impetração de habeas corpus em favor de paciente preso, uma vez que já se expirou o prazo para julgamento.

Impetração de habeas corpus em favor de paciente preso, uma vez que já se expirou o prazo para julgamento.

 

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE …..

….., brasileiro (a), (estado civil), advogado, inscrito (a) na OAB/ …. sob o nº ….,  portador (a) do CIRG n.º ….. e do CPF n.º …..,  residente e domiciliado (a) na Rua ….., n.º ….., Bairro ….., Cidade ….., Estado ….., advogado(a) e bastante procurador(a) do paciente (procuração em anexo – doc. 01), com escritório profissional sito à Rua ….., nº ….., Bairro ….., Cidade ….., Estado ….., onde recebe notificações e intimações,  vem, mui respeitosamente à presença de Vossa Excelência, impetrar

HABEAS CORPUS

em favor de

….., brasileiro (a), (estado civil), profissional da área de ….., portador (a) do CIRG n.º ….. e do CPF n.º …..,  recluso na cadeia de …., pelos motivos de fato e de direito a seguir aduzidos.

DOS FATOS

O paciente foi denunciado pelo Ministério Público pela prática do ilícito penal previsto no art. 17 da Lei 10.826/03 do Código Penal, porque no dia …. de …. do ano, por volta das …. horas, sem regular mandado de busca ou outro documento legal, teve sua propriedade, no …., bairro de …., na comarca de …., invadida por três policiais e um conhecido alcagueta, todos de arma na mão, que sob à mira de revólveres e graves ameaças e nesse clima foi arrancado de sua moradia, na presença de transeuntes e curiosos, que o conduziram ao ….º Distrito Policial da …., onde ainda sob a continuação das ameaças a sí e a seus familiares  obrigaram a assinar minudente e adredemente preparado ‘confissão’, na calada da noite, sempre indagando sobre um ‘tal de ….’ e assim não lhe permitindo o acompanhamento de familiares e advogado, após ceder em assinar o auto-incriminatório confissão antes referida, foi lançado na cela sob a grave acusação de que ‘estaria comercializando armas de fogo’ que teriam sido encontradas num quarto de hóspedes de sua casa, como reconheceram os investigadores em seus depoimentos diante da MM. Juíza “a quo”. (fls. dos autos)

Na denúncia, o Ministério Público, de toda sorte entendeu que o paciente seria o dono das aludidas armas, o que não tem respaldo nos fatos ocorridos e relatados, isto sem querer adentrar no exame interpretativo da prova, que evidentemente refoge ao âmbito restrito do “habeas corpus” o auto de flagrante não refere em momento algum, ter sido feito qualquer apreensão em poder do paciente, isto é, nada absolutamente, nada foi apreendido em seu poder que pudesse fazer presumir ter ele cometido ou participado do suposto delito.

Todavia, o que se constata no flagrante é que o armamento se encontrava no interior de uma mochila, no quarto de hóspedes na casa do paciente, tendo o mesmo afirmado repetidamente que a mochila assim como os objetos de seu interior seriam de propriedade do Sr. …., procedente do …., e que naquele dado momento se encontrava na rua.

Nota-se, no entanto, que o paciente já se encontra preso há mais de …. dias sem ser julgado, lembrando que o prazo para a instrução e julgamento processual expirou-se com o acusado na prisão e, sem culpa deste e ainda por se tratar de réu preso, torna-se a prisão, Constrangimento ilegal, estando, de conseqüência, feridos os direitos e garantias do cidadão disciplinado pelo ordenamento Constitucional e Processual.

DO DIREITO

Devemos salientar aos Eminentes Julgadores que já esgotamos todos os meios possíveis no sentido de ser exercido e obtido o direito do paciente, após excedido o prazo de instrução e julgamento, com o acusado-paciente na prisão, requeremos reiteradamente o relaxamento da ordem Constitucional e processual por excesso de prazo, mas a DD. Juíza “a quo”, “data venia”, repetidamente encontra uma evasiva, um subterfúgio, para a negativa do requerido, tudo como se evidencia dos autos.

O direito subjetivo processual tem como escopo em primeiro lugar, a proteção dos direitos individuais do cidadão, e em segundo a verificação e a proteção da ordem jurídica a serviço da coletividade regulada pelo direito positivo. Assim, entendemos que as normas que consagram os direitos fundamentais do cidadão constituem uma realidade jurídica que deve imperativamente ser cumprida, eis que protege o direito subjetivo deste mesmo cidadão, expressado no dispositivo da Lei.

Estando prescrito o prazo para a pretensão punitiva com o paciente na prisão, há mais de …. dias, mantê-lo é desrespeito, desobediência, abuso de poder, ao disciplinamento Constitucional e Processual a que o ato está subordinado, pois a melhor doutrina salienta:

“O direito não é mero somatório de regras avulsas, produto de atos de vontade, ou concatenação de fórmulas, verbais articuladas entre si. O direito é ordenamento ou conjunto significativo é não conjunção resultada de vigência simultânea: é coerência ou talvez mais rigorosamente, consistência; é unidade de sentido, é valor incorporado em regra, e esse valor, projeta-se ou traduz-se em princípio logicamente anteriores aos preceitos.” (Manual de Direito Constitucional, Vol. 4, Ed. Coimbra, Coimbra, t. III, 1990, pg. 197)

Vencido o prazo estipulado para a instrução e julgamento, sem sequer ter sido realizada a inquirição da última testemunha de acusação e, nem realizada a inquirição das testemunhas de defesa, não por culpa atribuível ao paciente preso, com o prazo prescrito para a pretensão punitiva, nota-se que a prisão em flagrante, está se eternizando em evidente abuso de poder por parte da MM. Juíza “a quo”.

Assim vencido o prazo legal, antes referido o paciente deverá, consequentemente ser posto em liberdade, eis que, encontra-se caracterizado o excesso de prazo, transformando-se a prisão em flagrante em uma verdadeira pena, decorrendo daí o constrangimento ilegal, pois o diploma adjetivo penal (art. 648, II, CPP), textualmente determina: “… que quando alguém estiver preso por mais tempo do que determina a lei …” considerar-se-á ilegal essa coação, estando assim feridos mortalmente os direitos e garantias do cidadão, disciplinado pelo ordenamento jurídico Constitucional, razão mais que bastante e suficiente para que os Eminentes Julgadores acolhidam presente “writ”.

Que, Câmara Legal, in Código de Processo Penal Brasileiro, Vol. III, pg. 55, textualmente asseverava:

“Os prazos para a formação da culpa representam garantias de liberdade individual, afim de impedirem prisões (como no caso presente) por tempo superior ao legal ou tornarem por muito tempo incerta a situação do acusado. Fixando prazos teve o legislador em vista restringir o mais possível a duração da fasxe provisória do processo e apressar o julgamento, evitando os abusos decorrentes da inércia ou desídia.”

Atualmente um dos mais festejados autores é indiscutivelmente o penalista e desembargador aposentado Alberto Silva Franco que nos reporta os seguintes ensinamentos, atuais e vibrantes, senão vejamos:

“Note-se que o papel do Judiciário é muito mais de garantir os direitos do cidadão que atuar em defesa da segurança da sociedade como um todo; tanto isso é verdade que na dúvida a sentença de mérito sempre favorece ao Réu.” (TJSP. – HC – Rel. Luiz Betanho – RT 661/284).

E, ainda:

“O acusado não deve suportar nada além do ônus e deveres que a lei do processo lhe impõe. Tudo mais irrompe qual constrangimento ilegal. Ao réu não se pode debitar preço da mobilização da serventia (ou outra evasiva qualquer, como no caso). A força maior existe, mas para o Juiz, enquanto dispensador de Justiça. Não para o imputado que aguarda o direito à liberdade jurídica e ao processo regular (art. 5º, LIV, da Constituição Federal). A jurisdição consiste em poder-dever estatal de realização de justiça: Se o fato lhe impediu a exercência ou a sua fluência normal; (como no caso presente) o andar do tempo (mais de 90 dias preso) faz ilegal a coação processual penal, que antes não o era.” (TACrim-SP-HC – voto vencido Sérgio Pitombo – RJ 8/217).

Cabendo aqui e agora recordar que interativamente os Tribunais Maiores tem assentado que:

“O excesso de prazo pelo qual é autorizada a concessão de habeas corpus é o derivado da inatividade de Justiça Pública, no desatender aos termos do processo, sem que da parte do réu exista menor contribuição para essa inatividade.” (Rev. For., Vol. 163, pg. 375)

E, também:

“… Os prazos judiciais devem ser cumpridos fielmente, especialmente em processo criminal quando o Réu se encontra preso em razão de flagrante ou custódia preventiva. Conseguintemente, a mantença da prisão, além os prazos previstos em Lei, sempre que não ocorra (como no caso em tela) motivo justificável para a protelação, constitui incontrovertível constrangimento ilegal, sanável por ‘habeas corpus’, afim de que o Réu aguarde em liberdade o seu julgamento.” (Ac. un. 4.768, da 1ª Câm. de SP – HC – nº 5.394 – Rel. Hoeprner Dutra, in RT 393, pg. 369)

Repetindo, o paciente está preso há mais de …. dias, por culpa não atribuível ou a sua defesa, em processo aonde nem sequer foi realizada a inquirição de todas as testemunhas de acusação e nem sequer foram inquiridas as testemunhas de defesa, estando consequentemente distante os graus de alegações finais e de sentença, cabendo assim aos Eminentes Julgadores, reconhecerem o excesso de prazo, conforme a sempre equilibrada e coerente orientação do Supremo Tribunal Federal, “in verbis”:

“Assim, ultrapassada a fase da instrução criminal, encontrando-se o processo em grau de alegações finais ou de sentença, não se considera o excesso de prazo anteriormente ocorrido para o efeito de concessão de habeas corpus.” (JTACrimSP 37/125, 38/99, 30/100, 39/64, 53/103; RT 395/424, 425/322, 439/401; RTJ 43/379, 50/365 e 69/169). (Apud Damásio E. de Jesus, in Código de Processo Penal Anotado, pg. 446)

Assim, mesmo se admitindo para argumentar o dobro do prazo ou seja …. dias, eis que, por interpretação os nossos Magistrados fixaram em …. dias o prazo para o encerramento da fase instrutória e, em …. dias o prazo para se ultimar o processo e, de conseqüência, já estaria ultrapassado e prescrito o prazo para a pretensão punitiva, e não tendo o procedimento atingido o grau de alegações finais ou sentença, podem os Ilustrados Magistrados darem acatamento ao presente “writ”, pois em assim procedendo estariam em consonância com o entendimento do STF e, determinando, por decorrência, que o paciente aguarde em liberdade o seu julgamento, pois este entendimento tem o seguinte respaldo, vejamos:

“O habeas corpus é meio hábil à decretação da extinção da punibilidade pela prescrição da ação (pretensão punitiva) ou de condenação (da pretensão executória).” (TJSP, RT 514/306 e 619/295; RTJ 106/94)

Em voto do então Ministro Evandro de Lins e Silva, do STF, julgando HC, temos a significativa passagem:

“A lei é de clareza solar a esse respeito. Não entendo como ainda se faz confusão em alguns tribunais …”

E, mais a frente temos:

“A justificação que se permite no art. 401, do CPP, é quanto à demora da instrução criminal. Admite-se a justificação, mas há quem apenas a admita para o efeito de não responsabilizar o juiz. Devemos ter em conta que os prazos estabelecidos na lei, permitindo a prisão preventiva, não devem ser alargados, porque está em causa a liberdade do cidadão …” (RTJ 33/785)

Assim, em corolário temos:

“a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária (art. 5º, inciso LXV, da Constituição Federal).”

Destarte, quando está em jogo a liberdade do cidadão, como, “in casu”, não se podem admitir quaisquer pareceres disfocados, trazendo teorias esdrúxulas, caóticas e inconstitucionais que venham pretender ferir esse inalienável direito assegurado constitucionalmente ao cidadão, que se encontra preso por inércia, desídia ou inatividade da própria Justiça.

Assim, crendo ainda no senso de Justiça dos Julgadores, que compõem essa Câmara, que de alguma forma tem reparado lesões aos direitos inalienáveis do cidadão, pede, pelo acatamento do “writ”.

DOS PEDIDOS

Finalizando requer-se seja o pedido, ante as razões expendidas, concedido pelos Eminentes Julgadores, liminarmente e ao final seja o mesmo julgado favorável.

Concedida liminarmente a presente ordem de “Habeas Corpus”, pede seja determinada a expedição do necessário Alvará de Soltura em favor do paciente, tudo para que efetive a benfazeja, Justiça.

Nesses Termos,
Pede Deferimento.

[Local], [dia] de [mês] de [ano].

[Assinatura do Advogado]
[Número de Inscrição na OAB]

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Categoria: Penal e Processual Penal, Petições
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