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Modelo de Petição: Direito Penal e Processual Penal – Petição de Recurso Especial – Ação Penal – Recurso especial em face de acórdão que não reconhece a necessidade de recurso de ofício.

Recurso especial em face de acórdão que não reconhece a necessidade de recurso de ofício.

 

EXMO. SR. DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO ….

O PROCURADOR-GERAL DE JUSTIÇA,   nos autos do recurso “ex-offício”   n º  ………….,  da  comarca de ……….., em que figura como recorrente obrigatório o MM. Juiz de Direito da 2a.  Vara Criminal de …………., sendo recorrido   J.  N.  S.,   vem, respeitosamente perante Vossa Excelência, com  fundamento no art.  105, III,  “a”  e   “c”, da  Constituição   Federal e  art.  26 da Lei  8038, de  28 de maio de 1990, interpor

RECURSO ESPECIAL

anexadondo à presente as Razões de Admissibilidade e Razões de Reforma, bem como o comprovante de recolhimento das custas recursais, requerendo que, após as demais formalidades legais, seja admitido o Recurso e, remetidos os autos ao Superior Tribunal de Justiça, para os devidos fins.

Nesses Termos,
Pede Deferimento.

[Local], [dia] de [mês] de [ano].

[Assinatura do Advogado]
[Número de Inscrição na OAB]

EGRÉGIO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA

Ação originária : autos nº …..
Recorrente: …..
Recorrido: …..

Colenda Turma
Nobres Julgadores

O PROCURADOR-GERAL DE JUSTIÇA,   nos autos do recurso “ex-offício”   n º  ………….,  da  comarca de ……….., em que figura como recorrente obrigatório o MM. Juiz de Direito da 2a.  Vara Criminal de …………., sendo recorrido   J.  N.  S.,   vem, respeitosamente  perante Vossas Excelências, com  fundamento no art.  105, III,  “a”  e   “c”, da  Constituição   Federal e  art.  26 da Lei  8038, de  28 de maio de 1990, apresentar

RAZÕES DE RECURSO ESPECIAL

pelos motivos de fato e de direito a seguir aduzidos.

DOS FATOS

…..  foi condenado a um total  de  6  anos  de  reclusão, …………. de multa e 2 anos de medida  de segurança, pela  prática de roubo  e furtos. Entendendo preenchidos os requisitos legais, ingressou com pedido de reabilitação,  sendo este  deferido pelo Magistrado de 1a. Instância, o qual, nos  termos do art.  746  do Código de Processo Penal, recorreu de ofício dessa decisão. (fls. 26).  Contudo, a C. Décima Primeira Câmara do Tribunal de Alçada Criminal   de …………., por votação unânime, não conheceu do recurso, deixando consignada a seguinte fundamentação:

“Como é jurisprudência sedimentada nesta E. 11a. Câmara, com o advento da lei nº  7.210/84  não há mais recurso oficial em casos de decisão concessiva  da reabilitação criminal.

Nesse sentido o decidido no Rec. nº  …….. Rel. Juiz JOSÉ JATYR DALL’AGNOL   do Tribunal de Alçada do Rio Grande do Sul, cuja ementa se reproduz:

“A reabilitação era tratada no artigo 743 e seguintes do Livro IV – Da Execução – do  Código de Processo Penal, prevendo o artigo 746 o  recurso de ofício  para a decisão que o concedesse.  O referido Livro IV do Código de Processo Penal foi, todavia, revogado pela  lei n º  7.210/84, a qual não trata especificamente da reabilitação,  nem determina o reexame necessário da decisão que a  concede.”

No mesmo diapasão o julgamento  do     recurso n º  406.523/2- Rel. Roberto Grassi do E. TACRIMSP.

Pelo exposto, não se conhece do recurso.”

Assim decidindo, a douta Turma Julgadora dissentiu de orientação doutrinária e de consolidado entendimento jurisprudencial emanado do Eg. Tribunal de Justiça de São Paulo,  negando com isso vigência ao art. 746 do estatuto processual penal,    contrariando doutrina  e jurisprudência indicadoras de que referido artigo permanece em pleno vigor.

DO DIREITO

DEMONSTRAÇÃO DO CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL.

Desde o advento da Lei 7.210,  de  11.7.84  (Lei de Execuções Penais), surgiu a discussão sobre estar ou não em  vigência o art. 746 do Código de Processo Penal, eis que, segundo alguns, pelo fato de aquela   Lei  não ter se referido ao recurso “ex-officio”  previsto no estatuto processual penal,   implicaria na  automática revogação deste.     Não  é essa,  contudo, ao opinião dos  mais abalizados  autores pátrios e da própria  jurisprudência,   especialmente a  emanada do Eg. Tribunal de Justiça de São Paulo.

a)- DA NEGATIVA DE VIGÊNCIA

Assim, comenta HÉLIO TORNAGHI,   mesmo após o surgimento da Lei referida, que:  “Se a decisão for favorável ao requerente, o juiz deverá recorrer de ofício, sob pena de nulidade (art. 746 c/c  o art. 564, III, “n”), referindo-se  à  decisão concessiva da reabilitação  (Curso de processo  à decisão  concessiva da reabilitação (Curso de Processo penal, Ed. Saraiva/87, vol. 2, pág. 469).

Nesse mesmo sentido é a lição de WALTER P. ACOSTA ( O Processo Penal, Ed. do Autor/87, pág. 409)  “Em seguida proferida sentença, no prazo de 10 dias (art. 800,I, do CPP),  da  qual recorrerá ex-officio se concedera reabilitação(art. 746 do CPP)”.

Comentando referido artigo 746 da lei processual penal,   DAMÁSIO DE JESUS    aponta que “A LEP  não cuida da reabilitação. Cremos, não obstante, que subsiste o recurso oficial, uma  vez que não desapareceram as  razões de sua instituição”.   E  acrescenta:  “o STF, já na  vigência da reforma penal de 1984, apreciou caso de  recurso oficial sem tocar no tema de sua  insubsistência, implicitamente admitindo a subsistência (RT 607/420)” (in Código de Processo Penal Anotado, Ed. Saraiva/89, pág. 440).

Ao que se vê, pois, nenhuma dúvida remanesce, para a doutrina, de que  das sentenças concessivas de reabilitação há de ser interposto, obrigatoriamente, o recurso oficial, matéria essa não revoga pela Lei n º  7.210/84.

b) – DO DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL.

Em  situações análogas à versada nesta  ação penal e em data  posterior à  vigência da Lei de Execuções Penais, o  Egrégio Tribunal de  Justiça  de   São  Paulo   assim  assentou:

“RECURSO CRIMINAL OFICIAL.  Hipótese de sentença declaratória de reabilitação criminal. Conhecimento” (RJTJESP – Lex 107/417).

Fundamentando o voto, o eminente relator Desembargador MARINO FALCÃO assim explana:

Sem embargo dessas e de outras também respeitáveis opiniões, opta-se  pelo entendimento de que continua integra a disposição do artigo 746  do Código de Processo Penal.   Não  o revogou a nova  Lei de Execução Penal, pelo fato de haver instituído no seu artigo 197 o agravo como único recurso cabível em fase executória.   Seria necessária expressa menção do legislador para que se pudesse concluir pela abolição do recurso de ofício, nas  hipóteses concessivas de reabilitação.     Estabelecendo o controle jurisdicional obrigatório da  Segunda Instância em relação a atos da Instância inferior, o  recurso oficial previsto no artigo 746 – do Código de Processo Penal constitui imposição não revogada  pela Lei n º  7.210,  de 1984,  até porque o pedido de reabilitação é  dirigido ao Juízo da condenação, não ao Juízo da  execução (artigo 743  do Código de Processo Penal). Sintomaticamente, a  nova Lei de Execução Penal não possui capítulo específico relativo à  reabilitação.

Por  tais motivos, conhece-se  do recurso de ofício.

Do mesmo Eg. Tribunal de Justiça de  São   Paulo, em decisão posterior, a   mesma conclusão:

“RECURSO CRIMINAL OFICIAL. Decisão concessiva de reabilitação criminal. Vigência do recurso, apesar de silente a Lei Federal  n º  7.210, de 1984, sobre o tema” (RJTJESP   108/457).

Ainda aqui, justificando seu voto, o eminente relator Desembargador   DIWALDO SAMPAIO       esclarece:

“Cumpre consignar, desde logo, que subsiste o recurso ex-officio, na  espécie.    Nesse sentido, ainda recentemente, decidiu esta Câmara no Recuso Criminal n º  49.429-3,  da comarca de  São Paulo, em venerando acórdão relatado pelo eminente Desembargador Cunha Camargo.  É,  por outro lado, a jurisprudência dominante em nossos Tribunais (cf.     ALBERTO DA SILVA FRANCO E OUTROS, “O Código Penal e sua interpretação jurisprudência”,  2a. ed., São Paulo, 1987, pág. 282; ” (JTACrSP”,  ed. LEX, vols.  90/151, 90/152, 89/150, 89/143, 88/159, 86/183, 86/182,  etc.).

c) – DA DEMONSTRAÇÃO ANALÍTICA

É nítido, pois, o paralelismo entre a hipótese dos autos e a versada nos v. acórdãos trazidos à  colação, pois é o mesmo o tema ali versado, qual seja, a  possibilidade da interposição do recurso obrigatório nos casos de sentença concessiva de reabilitação, após o advento da Lei n º  7.210/84.        Enquanto o acórdão recorrido entende da impossibilidade de sua existência e dele não conhece,   por acreditá-lo  revogado  pela Lei supra referida, as decisões paradigmas se orientam de forma diametralmente oposta, deixando clara a permanência do recurso de  ofício nos casos do art. 746  do Código de Processo Penal, já que não abrangidos  pela  Lei           nº 7.210/84.

Ao que restou demonstrado, começa a crescer orientação jurisprudencial que tende a negar vigência ao contido no art. 746 do CPP, a  pretexto de sua revogação pela Lei das Execuções Penais. Mas, como demonstrado, a maioria doutrinária e jurisprudencial tem se  posicionado em sentido contrário à essa tese, já que a Lei  7.210/84     não trata do problema e, pois, não poderia ter revogado o recurso de ofício em tais  casos.

Interessante notar que o próprio Tribunal de Alçada Criminal de  São Paulo, por maioria de suas Câmaras  Julgadoras, perfilha  este   último entendimento, o de que o recurso oficial permanece íntegro quando da decisão de  reabilitação. (RT 609/348   e   608/345, entre outros).

Ao decidir pelo não conhecimento do recurso “ex-officio” interposto pelo Magistrado sentenciante, da decisão que concedeu a reabilitação ao recorrido, a douta Turma  Julgadora negou vigência ao artigo 746 do Código de Processo Penal,  que  permanece em vigor, bem como dissentiu de jurisprudência dominante no sentido de que, efetivamente, o recurso de ofício, em casos que tais, ainda vigora.

DO PEDIDO

Assim sendo, aguarda esta Procuradoria Geral de Justiça seja deferido o processamento do recurso especial ora interposto, para que possa o Colendo Superior Tribunal de Justiça, reexaminando a questão de direito federal suscitada a fim de harmonizar esse entendimento, dar-lhe   provimento, para o fim de, reformada a decisão colegiada, determinar o conhecimento do recurso de ofício, ainda vigente, prosseguindo a  douta Câmara no exame do mérito, com atenção ao alerta contido no parecer de  fls. 31/33  e no RESP. 500-SP,  relatado pelo eminente Ministro   ASSIM TOLEDO   DJU     23/10/89, p. 16.200).

Nesses Termos,
Pede Deferimento.

[Local], [dia] de [mês] de [ano].

[Assinatura]

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Categoria: Penal e Processual Penal, Petições
Palavras-Chaves: ,

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